Sou
velha como uma borboleta,
nova como um carvalho,
ladina como um pé de couve.
escrevo porque gosto,
se quer sei muito bem fazê-lo.
o faço como quem faz arte de rua:
sem holofotes ou palcos brilhantes,
ou fantasias elegantes. só penso,
enquanto posso, e escrevo
enquanto enxergo.
é pouco?
sim, muito pouco.
mas já fui de Blake, a inspiração para seu Grande Dragão Vermelho
de Homero, o prazer estético e ensinamento moral
Shakespeare, me vestiu de longo com fitas nos cabelos
Cervantes, me aceitou e me levou em sua jornada
Poe, me transformou em assombração
Drummond, deixou uma pedra no meu caminho
Pessoa, me nomeou ridícula
Bilac, me deu uma bandeira
Camões, bucolicamente me satirizou
Vinícius, me chamava de mulher amada
Gonçalves Dias me disse Ainda uma vez... Adeus.
mas não me importo
se hoje sou apenas poeta.

 

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